O governo do Paraguai declarou oficialmente o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, em decreto publicado nesta quinta-feira (31). A medida reforça o combate ao crime transnacional e posiciona o país como um dos mais firmes no enfrentamento a facções criminosas na América do Sul.
Por que o Paraguai classificou CV e PCC como organizações terroristas
Segundo o decreto assinado pelo presidente Santiago Peña, a decisão foi tomada após investigações conduzidas pelo Conselho de Defesa Nacional, que confirmaram a atuação das facções brasileiras no território paraguaio. Os relatórios apontam envolvimento em tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro.
O texto oficial descreve que tanto o CV quanto o PCC “apresentam características típicas de organizações terroristas internacionais”, incluindo hierarquia, uso sistemático da violência e estrutura para financiar atividades ilegais dentro e fora do país.
Contexto regional: combate ao crime e ao terrorismo
Nos últimos anos, o Paraguai vem adotando uma postura mais rigorosa no combate ao crime organizado. Em 2019, o país já havia classificado o Hezbollah e o Hamas como organizações terroristas. Em agosto de 2025, o Cartel de los Soles, ligado à Venezuela, também entrou na lista.
A nova decisão ocorre em meio ao fortalecimento das políticas de segurança na Tríplice Fronteira — região compartilhada com Brasil e Argentina —, conhecida como ponto de operação de diversas facções criminosas internacionais.
“Estamos defendendo a soberania nacional e alinhando o Paraguai às práticas globais de combate ao terrorismo e ao crime transnacional”, declarou o presidente Peña durante o anúncio.
Repercussão internacional e impacto nas relações com o Brasil
A declaração do Paraguai sobre as organizações terroristas teve grande repercussão no Brasil, onde o CV e o PCC surgiram e mantêm bases consolidadas. A medida abre caminho para cooperação internacional com agências de inteligência e autoridades brasileiras.
Com o reconhecimento formal, o Paraguai poderá solicitar o bloqueio de ativos, facilitar extradições e restringir movimentações financeiras das facções, além de participar de programas de segurança da Organização das Nações Unidas.
Especialistas analisam a decisão do Paraguai
De acordo com especialistas em segurança regional, a classificação das facções como organizações terroristas paraguai é um passo estratégico e simbólico. A pesquisadora Ana Laura Sosa destaca que o decreto “reforça a imagem do país como ator ativo no combate ao crime transnacional e pressiona os vizinhos a adotarem políticas semelhantes”.
Essa medida também amplia o escopo legal das autoridades paraguaias, permitindo uma resposta mais coordenada e internacionalizada. Para os analistas, é o maior avanço da política de segurança paraguaia nas últimas décadas.
Consequências e próximos passos
A partir da classificação, o governo paraguaio poderá confiscar bens, congelar contas bancárias e punir qualquer forma de apoio logístico ou financeiro às facções. O Ministério da Defesa já anunciou a criação de uma unidade especial antiterrorismo, com apoio técnico dos Estados Unidos e de Israel.
Nos próximos meses, o Paraguai deverá comunicar oficialmente a ONU e a OEA sobre a decisão, buscando legitimar a medida em âmbito internacional e integrar-se a redes globais de combate ao terrorismo.
Fonte: Jovem Pan



