O cenário de guerra no Rio de Janeiro se revela mais profundo do que meros confrontos pontuais — segundo especialistas, a solução ainda está bem longe de se concretizar. Em meio à mais letal operação policial já registrada no estado, com dezenas de mortes e prisões, o dilema da segurança se torna ainda mais evidente.
O que está por trás do cenário de guerra no Rio de Janeiro
A não ser tratada como um episódio isolado, a escalada de violência que transformou parte da cidade num “campo de batalha” evidencia fragilidades estruturais. Na manhã da operação-chave, dezenas de mandados foram cumpridos, mais de 80 suspeitos presos, e o número de mortos ultrapassou 60 — número que já supera muitos registros anteriores.
O especialista ouvido pela reportagem ressaltou que, em locais sob controle de organizações criminosas e com ambientes urbanos complexos, “existe uma situação e um cenário de guerra” por si só — e a solução, ele reitera, “está longe de chegar”.
Por que o termo “cenário de guerra” se aplica?
Domínio territorial e infraestrutura precária
Áreas amplas da cidade estão sob domínio de facções que se apropriam do espaço urbano e social. Conforme relatório do secretário de Segurança do estado, são “aproximadamente 9 milhões de metros quadrados de desordem” — becos estreitos, favelas intrincadas e casas em zonas de difícil patrulhamento.
Táticas de combate não convencionais
As ações criminosas incluem uso de drones com explosivos, barricadas com fogo e ataques surpresa contra as forças policiais e a população local. Esse tipo de enfrentamento foge ao padrão de crime urbano tradicional e se aproxima de um conflito armado.
A operação mais letal da história
Nesta operação específica, foram cumpridos cerca de 100 mandados de busca e apreensão, resultando em mais de 80 prisões. O número de mortos alcançou 64 — incluindo quatro policiais — elevando o episódio à operação mais letal registrada no estado.
O que impede a solução imediata do cenário de guerra no Rio de Janeiro?
Falta de integração entre esferas de governo
Apesar de o estado afirmar que solicita reforço federal, há críticas de que o apoio não se concretizou. Essa fragmentação compromete a eficiência e a continuidade das ações de segurança.
Ausência de presença estatal de longo prazo
Muitas comunidades dominadas pelo crime têm pouco ou nenhum acesso sustentável a serviços públicos, policiamento de rotina ou políticas sociais. Sem essas bases, qualquer ação pontual se torna paliativa.
Operações que não alteram a estrutura
Mesmo operações de grande escala — como a citada — terminam por cumprir mandados e envolver prisões, mas não necessariamente derrubam o aparato logístico das organizações ou transformam o contexto social. O especialista afirma que “a solução […] está longe de chegar”.
E agora — o que precisa mudar para enfrentar o cenário de guerra no Rio de Janeiro?
Visão de longo prazo
É imprescindível que se configure uma estratégia que vá além da repressão imediata. Investimentos em educação, infraestrutura urbana, habitação e inclusão social são partes fundamentais da mudança.
Coordenação entre forças e governo
A integração entre polícia, governo estadual, municípios e esferas federais precisa ser efetiva e contínua — não apenas para operações de choque, mas para a construção de segurança preventiva.
Monitoramento e transparência
A população exige responsabilização, transparência nas ações e resultados concretos que possam diminuir o sentimento de vulnerabilidade e medo. A mídia internacional já está destacando que o Rio vive “um estado de guerra”.
Considerações finais
O cenário de guerra no Rio de Janeiro não é apenas um rótulo — ele descreve uma realidade alarmante que envolve controle territorial de criminosos, operações policiais em escala nunca antes vista e uma crise humanitária silenciosa em áreas vulneráveis. Enquanto os números de mortes, prisões e confrontos refletirem apenas o sintoma, e não a causa, a solução seguirá longe de chegar.
Vídeo do R7:
Fonte:
Noticias R7+1
Gazeta do Povo+1









